CAPOEIRA: da produção de subjetividade às políticas culturais

Tema:
CAPOEIRA: da produção de subjetividade às políticas culturais
Autor:
Inês Chada Ribeiro
Orientador:
Profª. Drª. Leonardo Caravana Guelman
Instituição:
UFF
Ano:
2014

 

Resumo

Estruturada em duas etapas, a presente investigação propõe uma abordagem teórica do estágio atual do capitalismo reconhecendo a centralidade da subjetividade nos seus processos de acumulação e reprodução. Se há um domínio sem precedentes do capital sobre a vida, há também novas formas de resistir e divergir dos seus valores dominantes. Esse trabalho investiga a possibilidade da capoeira constituir-se como espaço de resistência e produção de subjetividades alternativas às produzidas pelo capitalismo. A partir da experiência narrada por praticantes de capoeira, a pesquisa busca entender como a capoeira se configura como uma prática resistente na medida que produz uma subjetividade contra hegemônica. Destacando valores éticos e estéticos da capoeira, os conceitos de resistência e biopotência são mobilizados para pensar os valores e as dimensões expressivas enunciadas pelos capoeiristas. Michel Foucault, Felix Guattari, Suely Rolnik, Antonio Negri e Michael Hardt compõem o arcabouço teórico que auxilia na compreensão dos conceitos, ao mesmo tempo em que se apresentam como potentes interlocutores no diálogo com os capoeiristas. Em um segundo momento, o trabalho propõe uma análise das políticas culturais recentes voltadas à capoeira. Para tanto, traça um breve mapeamento de iniciativas de amparo e fomento à prática da capoeira a partir de 2003. A pesquisa compreende a gestão de Gilberto Gil, no Ministério da Cultura, como paradigmática no campo das políticas culturais pelo seu caráter democrático e descentralizado, representado sobretudo pelo programa Cultura Viva. Os avanços e limitações das iniciativas implementadas nesse período são objeto de análise dessa investigação. Por fim, este trabalho traça uma compreensão dos aspectos da capoeira que apontam para a construção de realidades pautadas em outros valores, reconhecendo os impasses e contradições que práticas culturais enfrentam em contextos institucionais. A pluralidade do cenário da capoeira evidencia a tensão entre o risco de reprodução de valores dominantes e a possibilidade de afirmação da potência política da prática. Nesse sentido, a participação e empoderamento de todos os envolvidos – dos praticantes, aos mestres, aos formuladores de políticas públicas – parece um bom ponto de partida.