Cultivando em solos férteis: O Projeto Solos Culturais e a potência juvenil como transformadora da sociedade.

Tema:
Cultivando em solos férteis: O Projeto Solos Culturais e a potência juvenil como transformadora da sociedade.
Autor:
Carina Faleiro de Figueiredo
Orientador:
Prof. Me. Luiz Mendonça
Instituição:
UFF
Ano:
2013

 

Resumo

Este trabalho de pesquisa tem por objetivo apresentar e questionar os processos atravessas pelo programa Solos Culturais, promovido em 2012 pelo Observatório de Favelas, na Maré. Tratava-se de um curso que previa a formação de jovens selecionados entre 15 e 29 anos em Produção Cultural e Pesquisa Social, tendo durado cerca de dez meses. Seguindo a linha filosófica e de atuação do Observatório, o programa Solos Culturais buscou atuar na produção de conhecimento, prático e teórico, e integrar em uma luta pela superação de estigmas sofridos pelo jovem da favela. Entendendo o território da favela sendo comparável a um “solo fértil”, rico em cultura e propício ao desenvolvimento das linguagens e expressões ali existentes. A esses jovens, a quem o programa denominou como “Solistas”, eram mostrados conceitos e categorias diversos dentro da temática da cultura e das políticas públicas culturais e, a partir disto, aqueles alunos era convidados a realizar intervenções culturais nos territórios em que residiam e a compreender que era seu direito, enquanto cidadãos, contribuir com interferências positivas, cultural e politicamente, onde mora e na cidade em que vive e de onde costuma ser segregado, apropriando-se daquilo que é seu por direito. Tudo isto é pensado através de um Projeto Político-Pedagógico aliado à aplicação de uma metodologia formativa específica e característica desta organização social, que traz consigo a preocupação não somente com o exercício de direitos culturais destes jovens, mas sociais e políticos também. No momento da aplicação desta metodologia, diversos conflitos e tensões aparecem e acabam dando conta de mostrar algumas falhas no processo prático deste projeto, que são inerentes a certos conflitos e tensões intrínsecos ao mundo moderno e também ao fato de ser um projeto, de certa forma, ainda embrionário, que estaria ainda em sua primeira edição. Ademais, analisa-se o propósito desafiador que o programa traz e que implica em certo investimento ideológico em jovens, que o programa admite que, por serem potencialmente criativos, têm nas mãos o poder de intervir no cenário social de que fazem parte através da administração e aplicação destas potências em seu cotidiano.