Cultivando em solos férteis: O Projeto Solos Culturais e a potência juvenil como transformadora da sociedade.

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Este trabalho de pesquisa tem por objetivo apresentar e questionar os processos atravessas
pelo programa Solos Culturais, promovido em 2012 pelo Observatório de Favelas, na Maré.
Tratava-se de um curso que previa a formação de jovens selecionados entre 15 e 29 anos em
Produção Cultural e Pesquisa Social, tendo durado cerca de dez meses. Seguindo a linha
filosófica e de atuação do Observatório, o programa Solos Culturais buscou atuar na produção
de conhecimento, prático e teórico, e integrar em uma luta pela superação de estigmas
sofridos pelo jovem da favela. Entendendo o território da favela sendo comparável a um “solo
fértil”, rico em cultura e propício ao desenvolvimento das linguagens e expressões ali
existentes. A esses jovens, a quem o programa denominou como “Solistas”, eram mostrados
conceitos e categorias diversos dentro da temática da cultura e das políticas públicas culturais
e, a partir disto, aqueles alunos era convidados a realizar intervenções culturais nos territórios
em que residiam e a compreender que era seu direito, enquanto cidadãos, contribuir com
interferências positivas, cultural e politicamente, onde mora e na cidade em que vive e de
onde costuma ser segregado, apropriando-se daquilo que é seu por direito. Tudo isto é
pensado através de um Projeto Político-Pedagógico aliado à aplicação de uma metodologia
formativa específica e característica desta organização social, que traz consigo a preocupação
não somente com o exercício de direitos culturais destes jovens, mas sociais e políticos
também. No momento da aplicação desta metodologia, diversos conflitos e tensões aparecem
e acabam dando conta de mostrar algumas falhas no processo prático deste projeto, que são
inerentes a certos conflitos e tensões intrínsecos ao mundo moderno e também ao fato de ser
um projeto, de certa forma, ainda embrionário, que estaria ainda em sua primeira edição.
Ademais, analisa-se o propósito desafiador que o programa traz e que implica em certo
investimento ideológico em jovens, que o programa admite que, por serem potencialmente
criativos, têm nas mãos o poder de intervir no cenário social de que fazem parte através da
administração e aplicação destas potências em seu cotidiano.